Em nova coluna na Você RH, Pamela Manfrin, CEO da Apetit, parte das recentes mudanças nas formas de crédito e consignação para refletir sobre renda disponível, valor percebido da remuneração e as novas questões que começam a chegar também às empresas.
O salário chega todos os meses, mas sua relação com a vida de cada pessoa começa muito antes de o valor aparecer na conta. Moradia, alimentação, financiamentos, parcelas, compromissos familiares, projetos pessoais e diferentes prioridades disputam espaço dentro de uma mesma renda. Por isso, duas pessoas que recebem exatamente a mesma remuneração podem ter experiências bastante distintas com aquilo que recebem.
Essa constatação não pressupõe escolhas certas ou erradas. Cada pessoa atravessa momentos, necessidades e responsabilidades diferentes, e é justamente a diversidade dessas realidades que torna a discussão sobre saúde financeira mais complexa do que simplesmente observar um valor no contracheque.
É a partir desse olhar que Pamela Manfrin, CEO da Apetit e colunista da Você RH, propõe uma nova reflexão sobre a relação entre renda, escolhas individuais e o papel das empresas. Em sua coluna mais recente, “O que compromete o salário antes que ele chegue ao trabalhador?”, Pamela chama atenção para mudanças que estão ampliando as possibilidades de destinar parte da remuneração antes mesmo que ela esteja disponível para outras escolhas.
A pergunta que surge a partir daí é especialmente relevante para quem trabalha com pessoas: o salário que a empresa paga é necessariamente o mesmo salário que o colaborador percebe receber?
Da expansão do consignado ao aluguel consignado: o que está mudando?
A relação entre folha de pagamento e decisões financeiras individuais vem passando por mudanças importantes. O Crédito do Trabalhador ampliou o acesso ao empréstimo consignado para profissionais com vínculo formal, permitindo que as parcelas sejam descontadas diretamente da remuneração. Atualmente, a margem consignável corresponde a até 35% da remuneração disponível, calculada depois dos descontos obrigatórios previstos pelas regras do programa.
Mais recentemente, uma nova discussão avançou no Congresso Nacional. A Câmara dos Deputados aprovou a proposta do chamado aluguel consignado, que permite a consignação em folha de aluguéis residenciais e encargos locatícios. O projeto chegou ao Senado como PL 5.246/2026 e, na atualização oficial disponível, segue em tramitação, ainda aguardando despacho. Portanto, não se trata de uma regra já vigente.
Essas iniciativas possuem objetivos diferentes e podem responder a necessidades legítimas. O crédito pode permitir acesso a condições mais favoráveis ou ajudar na reorganização de outros compromissos. Uma nova alternativa de garantia locatícia pode facilitar o acesso à moradia para pessoas que encontram dificuldades nos modelos tradicionais.
A reflexão proposta por Pamela começa justamente quando deixamos de observar apenas cada instrumento de forma isolada e passamos a considerar o cenário que pode ser formado pela soma dessas transformações.
À medida que novos compromissos passam a utilizar a renda futura, quanto daquela remuneração permanece disponível para outras escolhas? E de que maneira essa nova configuração interfere na percepção que o trabalhador tem sobre aquilo que recebe?
A questão não está em classificar crédito, financiamento ou consignação como positivos ou negativos. Está em compreender uma mudança que aproxima cada vez mais decisões pessoais, remuneração, folha de pagamento e processos empresariais.
O salário do contrato e o salário vivido
Imagine uma pessoa que recebe um reajuste salarial e, ainda assim, percebe que sua disponibilidade financeira mudou muito pouco. Essa experiência não significa necessariamente que a política salarial da empresa seja inadequada, assim como não permite concluir que o trabalhador tenha feito escolhas financeiras equivocadas.
A vida muda e o orçamento acompanha essas mudanças. Um filho chega, uma mudança de casa acontece, um curso começa, surge uma necessidade familiar, um financiamento é assumido ou uma dívida mais cara é reorganizada. Novas prioridades também aparecem ao longo do caminho.
É justamente por isso que falar sobre saúde financeira dos colaboradores exige respeito às diferentes realidades. O salário previsto no contrato é objetivo. A experiência de viver com aquela remuneração é individual e depende de circunstâncias que não cabem à empresa julgar ou controlar.
Na coluna da Você RH, Pamela chama atenção para essa diferença entre salário contratado e salário percebido e para o que pode acontecer quando uma parcela maior da renda já possui destino antes de estar disponível para outras decisões.
Para quem trabalha, essa reflexão pode ajudar a compreender com mais clareza a própria renda, os compromissos assumidos e aquilo que permanece disponível para as escolhas presentes e futuras.
Para o RH, ela abre outra pergunta: quanto valor as pessoas realmente conseguem perceber naquilo que a empresa oferece?
Benefícios também são vividos, não apenas oferecidos
Essa mesma pergunta pode ser ampliada para os benefícios. Alimentação, saúde, mobilidade, desenvolvimento, flexibilidade e outras iniciativas fazem parte da experiência das pessoas dentro de uma organização, mas seu valor não está apenas no investimento realizado pela empresa.
Um mesmo benefício pode representar praticidade para uma pessoa, economia para outra, segurança para uma família ou mais tranquilidade dentro de uma rotina intensa. Sua relevância nasce do encontro entre aquilo que a empresa oferece e a realidade de quem efetivamente o utiliza.
Por isso, além de avaliar quanto a organização oferece, existe outra questão igualmente importante: como aquilo que oferecemos está sendo percebido pelas pessoas?
Essa mudança de perspectiva aproxima remuneração, benefícios e saúde financeira sem transferir para a empresa a responsabilidade pelas decisões financeiras individuais.
O papel do RH não é determinar como alguém deve utilizar o próprio salário, nem acompanhar detalhes da vida financeira de cada profissional. Existe, porém, espaço para construir informação mais clara, comunicar melhor os componentes da remuneração e permitir que os benefícios oferecidos sejam compreendidos em toda a sua dimensão.
Informação, autonomia e respeito às escolhas
Falar sobre saúde financeira no ambiente profissional exige cuidado justamente porque estamos tratando de decisões individuais.
Utilizar crédito, financiar um bem, assumir um compromisso futuro ou reorganizar uma dívida não caracteriza, por si só, uma dificuldade financeira. Cada pessoa possui objetivos, necessidades e circunstâncias que uma empresa não conhece e não precisa conhecer.
Por isso, essa conversa pode partir muito mais da informação e da autonomia do que do julgamento.
Compreender a composição da remuneração, identificar com clareza os descontos presentes no holerite e conhecer os benefícios disponíveis são formas de permitir que cada pessoa enxergue melhor aquilo que recebe e tome suas próprias decisões a partir dessa informação.
Não se trata de ensinar alguém a administrar a própria vida financeira ou definir um comportamento considerado ideal. Trata-se de reconhecer que transparência e clareza podem ampliar a autonomia das pessoas diante de uma realidade que está se tornando mais complexa.
Para o colaborador, esse olhar pode ajudar a compreender melhor quanto da renda já possui destino e quais recursos e benefícios estão disponíveis em sua rotina. Para o RH, pode trazer mais elementos para entender como remuneração e benefícios são percebidos sem ultrapassar a fronteira da vida individual.
Quando uma decisão pessoal também chega à rotina da empresa
Existe ainda outra dimensão nesse movimento.
Embora a decisão de contratar um empréstimo consignado pertença ao trabalhador, determinadas etapas do Crédito do Trabalhador também geram procedimentos para os empregadores. Com a implementação das garantias, por exemplo, empresas passaram a ter responsabilidades relacionadas à consulta de informações, lançamento de descontos no eSocial e recolhimento pelo FGTS Digital nas situações previstas pela regulamentação.
É nesse ponto que uma pauta que começa na vida financeira individual alcança Departamento Pessoal, RH, Financeiro, Jurídico, Compliance e outras áreas da organização.
Quanto mais mecanismos passam a utilizar a folha de pagamento como infraestrutura, mais importante se torna compreender não apenas cada nova regra, mas também a forma como essas mudanças se relacionam.
Esse é um dos movimentos que Pamela coloca em discussão na Você RH: uma decisão tomada fora da empresa pode começar a produzir processos, responsabilidades e riscos dentro dela.
O desafio não está em interferir nas escolhas do trabalhador. Está em permitir que a organização acompanhe uma realidade em transformação com processos claros, responsabilidades bem definidas e comunicação adequada.
O que essa nova realidade provoca no RH?
É justamente aqui que a discussão deixa de ser apenas financeira.
Se salário contratado e salário percebido podem contar histórias diferentes, como o RH interpreta a percepção dos colaboradores sobre remuneração? Como apresentar com mais clareza o conjunto de benefícios oferecido pela empresa? Como apoiar sem invadir? E como preparar processos internos para mudanças que ainda estão se desenvolvendo?
São perguntas que não exigem uma resposta única e imediata. Ao contrário, talvez uma das responsabilidades mais importantes seja começar a fazê-las antes que determinada situação apareça somente como um problema a ser resolvido.
Na coluna completa, Pamela avança sobre essa discussão e apresenta caminhos relacionados a governança, comunicação, informação e prevenção, além de dados que ajudam a dimensionar o atual cenário brasileiro.
É justamente esse aprofundamento que vale conhecer.
Leia a reflexão completa de Pamela Manfrin na Você RH
Como CEO da Apetit, Pamela acompanha discussões que atravessam a rotina das empresas, dos profissionais e das áreas de Recursos Humanos com as quais a companhia se relaciona. Como colunista da Você RH, esse olhar ganha espaço para analisar transformações que ultrapassam os limites de uma única organização e começam a fazer parte da realidade de trabalhadores e empresas.
Em “O que compromete o salário antes que ele chegue ao trabalhador?”, Pamela apresenta o contexto das recentes formas de consignação, traz dados sobre endividamento e inadimplência no país e aprofunda a relação entre comprometimento da renda, remuneração percebida, saúde financeira, gestão de pessoas e governança.
Mais do que classificar essas transformações como boas ou ruins, a coluna convida empresas e trabalhadores a compreender melhor o sistema que começa a ser construído pela soma delas.
Quer continuar essa reflexão? Leia a coluna completa de Pamela Manfrin na Você RH.
E na sua empresa, como os benefícios são percebidos?
A discussão sobre salário percebido também abre uma pergunta importante para quem trabalha com gestão de pessoas: os benefícios oferecidos pela empresa estão conseguindo gerar valor real na vida de quem os utiliza?
Essa é uma conversa que faz parte da relação da Apetit com as áreas de Recursos Humanos. Benefícios não existem apenas nas políticas internas, nas apresentações institucionais ou nas planilhas de custos. Eles encontram pessoas e passam a fazer parte de suas rotinas, o que significa que seu valor também é construído pela experiência que proporcionam.
A alimentação corporativa é um dos exemplos mais concretos dessa relação. Todos os dias, ela está presente em um momento essencial da jornada, quando o colaborador se alimenta, faz uma pausa e compartilha um espaço com outras pessoas. Quando bem planejado, o restaurante corporativo pode representar praticidade, qualidade, conveniência e cuidado, transformando um benefício essencial em algo percebido de forma concreta no cotidiano.
Para o RH, isso significa ampliar a pergunta. Além de avaliar aquilo que a empresa oferece, também vale compreender como esse benefício é vivido por quem está do outro lado.
Como os colaboradores da sua empresa percebem os benefícios que recebem hoje?
A Apetit atua ao lado do RH para desenvolver soluções de alimentação corporativa alinhadas às necessidades das pessoas, à realidade de cada operação e aos objetivos do negócio.
Se essa também é uma conversa importante para a sua empresa, queremos conhecer a sua realidade.
Fale com um especialista da Apetit.
Por Fernanda Circhia, jornalista e colaboradora especial para a Apetit Serviços de Alimentação.





