Em webinar que marcou os 37 anos da Apetit e mais de duas décadas de parceria com a Tamarana Metais, Pamela Manfrin e Mauricio Chiesa discutiram como liderança, confiança, saúde psicossocial, governança e ESG ajudam empresas e relações a atravessarem o tempo.
Chegar aos 37 anos de atividade é resultado de decisões tomadas muito antes de esse número existir. Sustentar, durante boa parte desse percurso, uma relação empresarial por mais de duas décadas acrescenta outra questão: o que permite que empresas continuem relevantes e que parcerias permaneçam fazendo sentido mesmo quando mudam as pessoas, os contextos, as exigências e a própria maneira de fazer negócios?
Foi a partir dessa reflexão que a Apetit promoveu, no mês de julho, o webinar “Empresas longevas são empresas que cuidam: liderança, saúde psicossocial e ESG na prática”. Pamela Manfrin, CEO da Apetit Serviços de Alimentação, recebeu Mauricio Chiesa, Head de Recursos Humanos, Jurídico e ESG da Tamarana Metais, para essa conversa enriquecedora sobre parceria, gestão, saúde, e, principalmente, confiança. Chiesa representa uma empresa cuja relação com a Apetit já ultrapassa duas décadas.
Mais do que celebrar os dois marcos, a conversa colocou essa experiência a serviço de uma discussão mais ampla: o que organizações, líderes e profissionais podem fazer hoje para construir empresas, culturas e relações capazes de permanecer relevantes amanhã?

Permanecer exige mudar
Logo no início do encontro, Chiesa contestou uma associação comum entre longevidade e permanência das mesmas estruturas. Para o executivo, uma empresa perene precisa justamente desenvolver capacidade para rever a maneira como trabalha sem perder aquilo que sustenta sua identidade. “A organização tem que ser perene. O que muda é a maneira de fazer”, destacou o Head de RH.
A mudança, porém, não elimina erros. E é justamente quando eles aparecem que, segundo o administrador, outro ativo empresarial começa a ser colocado à prova: a reputação. “A empresa pode errar? Pode. Vai errar? Vai. Mas como ela se posiciona? Aí entra a questão da reputação”, questiona Chiesa.
Da reputação, a conversa avançou para quem transforma decisões em prática. Ao tratar de governança e ESG, Chiesa provocou: “o G mais importante é o G de gente”.
Pamela encontrou nessa reflexão uma conexão com uma mudança vivida pela própria Apetit. Em 2017, a companhia distribuiu responsabilidades antes concentradas em uma estrutura de gestão de pessoas e passou a envolver áreas especialistas e as lideranças de maneira mais ampla.
“A partir daquele momento, gestão de pessoas seria uma tarefa corporativa”, lembrou a CEO. Segundo Pamela, a decisão ampliou a autorresponsabilização e fortaleceu uma compreensão que também passou a valer para inovação e governança: podem existir especialistas, mas determinados temas precisam fazer parte da cultura de toda a organização.
Chiesa resumiu a ideia em uma frase: “Pessoas cuidam de pessoas, então não é um departamento que vai cuidar.” É nessa passagem entre política corporativa e comportamento cotidiano que a atuação da liderança ganha peso. E foi justamente um exemplo aparentemente simples que levou a conversa para a saúde psicossocial.
O que uma mensagem às 17h55 pode dizer sobre uma empresa
Pamela propôs uma situação conhecida de muitos profissionais. Sexta-feira, 17h55. Um colaborador manda ao gestor uma mensagem dizendo apenas que precisa conversar na segunda-feira. Sem saber o assunto, o líder pode passar o fim de semana imaginando um pedido de demissão.
A situação também funciona ao contrário. Se é o gestor quem chama um profissional para conversar na segunda-feira às 8 horas sem explicar o motivo, a falta de contexto pode transformar dois dias de descanso em apreensão.
A solução, observou a executiva, pode estar em algo tão simples quanto comunicar melhor. “A gente evita isso com um comportamento simples, com uma atitude simples de se antecipar, de ser transparente, de antecipar um tema.” Para Pamela, uma cultura de saúde vai além de documentos e conformidade e aparece também na forma como as pessoas escolhem agir e se comunicar.
Chiesa avançou sobre o mesmo assunto ao afastar a ideia de que segurança psicológica significa ausência de cobrança. “Segurança psicológica não é ser fofinho, não é ser queridinho, não é baixar meta”, disse.
Na avaliação do Head de RH, Jurídico e ESG, metas e responsabilidades continuam fazendo parte do ambiente profissional. A diferença está na clareza dos critérios, na coerência das relações e na possibilidade de tratar um erro sem transformar a procura por culpados na primeira reação da organização.
O exemplo ajuda a mostrar por que saúde psicossocial, cultura e liderança não são assuntos separados. Todos passam pela experiência que uma empresa constrói no cotidiano. E, se é o comportamento que revela a cultura, o mesmo princípio vale para os valores e compromissos declarados pela organização.
Valores aparecem quando as decisões ficam difíceis
Durante o encontro, Pamela sintetizou essa relação entre discurso e prática: “a gente sabe que não é o que a gente fala, é o que a gente faz”. Pensando nisso, Chiesa completou a fala dizendo: “Prioridade se negocia, valor não.”
Para o executivo, a coerência entre aquilo que uma empresa declara e aquilo que efetivamente pratica influencia diretamente a maneira como ela será percebida. “Ninguém se relaciona com quem não conhece, ninguém engaja com quem não confia, ninguém indica quem não admira”, reforçou.
Para o Head de RH da Tamarana Metais, é justamente quando surge pressão por custos, um problema precisa ser corrigido ou uma decisão se torna desconfortável que valores, ESG e governança deixam o campo institucional e passam a ser testados na prática.
E essa discussão levou naturalmente ao exemplo que estava diante dos dois convidados desde o início do webinar: uma relação empresarial mantida por mais de duas décadas.
Mais de duas décadas não significam ausência de problemas
Ao falar da parceria entre Apetit e Tamarana Metais, o convidado evitou construir uma história de perfeição. Depois de mais de 20 anos, houve cobranças, correções, auditorias e erros, como ocorre em qualquer relação comercial. O que muda é a maneira como cada lado responde quando alguma coisa precisa ser revista.
Pamela relacionou a reflexão a um princípio repetido dentro da Apetit. “O problema não é errar, é como você lida com o erro, como você responde a ele, o seu processo de aprendizagem, de desenvolvimento.”
Para a CEO, a forma de responder a essas situações não apenas resolve o problema imediato, mas também alimenta o conhecimento da organização e ajuda a construir credibilidade entre os parceiros.
Perto do encerramento, uma pergunta do público pediu que os dois traduzissem os aprendizados acumulados nessa relação. Sobre o tema, Chiesa falou em “cartas na mesa muito claras” e confiança antes de resumir mais de duas décadas em uma frase: “Acertamos juntos, erramos juntos, conferimos, corrigimos e, se precisar, damos as mãos”.
A ideia serve à relação entre cliente e fornecedor, mas não apenas a ela. Para quem lidera equipes, significa refletir sobre como reagir diante de um erro. Para profissionais, sobre como constroem credibilidade nas próprias relações. Para empresas, sobre a diferença entre tratar parceiros apenas a partir das obrigações contratuais e criar espaço para resolver problemas e evoluir em conjunto.
A conversa chegou ainda ao sentido atribuído ao trabalho. Chiesa defendeu que a liderança também precisa ajudar as pessoas a compreenderem o impacto do que fazem: “não é o que você faz. A questão é para quem você faz e o por que você faz”.
Na alimentação corporativa, Pamela aproximou essa reflexão da realidade dos restaurantes. Quando existe parceria, explicou, a operação pode “extrapolar só o alimento” e também integrar ações de engajamento, reconhecimento e experiência dos colaboradores.
Os 37 anos da Apetit e mais de duas décadas de relação com a Tamarana são números que só podem ser celebrados hoje, mas foram construídos em decisões tomadas muito antes. Capacidade de mudar, responsabilidade sobre as pessoas, comunicação clara, coerência e maturidade para corrigir erros são escolhas repetidas ao longo do tempo.
Por isso, a conversa não interessa apenas às organizações que já atravessaram décadas, ela interessa principalmente às empresas, lideranças e profissionais que estão construindo agora a cultura, a reputação e as relações que pretendem sustentar no futuro.
O webinar completo também avança por temas como relações entre gerações, sucessão, autonomia para tomada de decisão, feedback, desenvolvimento de lideranças, governança e o papel do restaurante corporativo na cultura das organizações.
Assista ao webinar completo
Para empresas que buscam transformar a alimentação corporativa em uma experiência integrada à cultura e às necessidades das pessoas, a Apetit desenvolve operações a partir do conhecimento da realidade de cada cliente e da construção de relações de longo prazo.
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Por Fernanda Circhia, jornalista e colaboradora especial para a Apetit Serviços de Alimentação.





